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Apadrinhamento Caminhos: rede de apoio para as pessoas participantes

Fotos: Elisa Carvalho/CeMAIS


O Programa Caminhos acompanha 18 pessoas com trajetória de vida nas ruas e egressos do sistema prisional que estão passando por um processo de formação multidisciplinar, com acompanhamento psicológico, oficinas de artes, mentorias e cursos profissionalizantes.


Uma etapa importante do programa é o Apadrinhamento Caminhos, que busca proporcionar novas experiências e conexões para um maior desenvolvimento social e emocional do público-alvo.


O padrinho/madrinha faz parte de uma rede de apoio para as pessoas acompanhadas, incentivando-as e motivando-as durante o todo o percurso do programa. A proposta da ação é que, a partir do diálogo e compartilhamento, o padrinho/madrinha e apadrinhado(a) estabeleçam uma relação de troca e confiança, baseada na escuta ativa e empática, acolhimento e orientação.


A ação está em fase de desenvolvimento, e os voluntários já foram selecionados, mobilizados, e passaram por um período de formação. No dia 24 de março, ocorreu o primeiro encontro entre padrinhos/madrinhas e apadrinhados(as), na sede do Instituto de Apoio e Orientação a Pessoas em Situação de Rua (INAPER), um importante parceiro do programa, que já realiza ações com o público acompanhado. A manhã foi marcada por um ambiente descontraído e próximo entre os participantes, permeada por dinâmicas de interação, conversas e um delicioso café da manhã. Ao final do encontro, se formaram as duplas de padrinhos/madrinhas e apadrinhados(as) e, no dia 9 de abril, foi realizado o segundo encontro com uma nova turma, dessa vez no Abrigo Anita Gomes dos Santos.



“É a primeira vez que tenho um padrinho e, logo no início, já achei a proposta legal. Quando conheci o Luciano, logo me identifiquei com ele. Estamos nos falando bastante. Compartilhei com ele sobre os barcos de artesanato que faço e ele me deu várias dicas de como posso vender pela internet. Eu estou gostando, pois sei que ele é uma mão amiga, vai me ajudar nessa nova fase da minha vida” - Fábio da Silva, 34 anos, apadrinhado.

Criando laços e estabelecendo vínculos


O Apadrinhamento Caminhos está em sua primeira edição, mas já demonstra o enorme potencial que o estabelecimento de vínculos tem como ferramenta na transformação de realidades. Criar novas referências, oportunizar conexões e aprendizados a partir das relações construídas é fundamental para que pessoas em estado de vulnerabilidade social possam criar autonomia e confiança no seu processo individual de pertencimento a uma sociedade. O programa se apresenta como uma oportunidade única de compartilhar histórias de vida de diversos contextos, ampliando o autoconhecimento e a sensibilidade humana e aprimorando o senso de cidadania.

“O Apadrinhamento para nós do CeMAIS é a oportunidade do encontro. É a oportunidade de contribuir para vidas melhores. Essa experiência do padrinho com o apadrinhado é uma troca. É uma troca de conhecimento, é uma troca de realidades, de sabedoria e da forma de levar a vida. Poder proporcionar isso e trabalhar com voluntários nessa conjuntura nos deixa muito felizes” - Marcela Giovanna, Diretora presidente do CeMAIS

A experiência do voluntariado:

depoimento do Padrinho Raul Roland

“Tenho 29 anos, sou formado em Direito e trabalho no Ministério Público Federal em Minas Gerais. O fato de ter nascido com uma deficiência física congênita e ter conseguido, à minha maneira, transpor as barreiras que as pessoas e o meio físico impõem a nós, fez com que eu me aproximasse da ideia do voluntariado desde cedo. Ser voluntário é se dispor a colocar-se em função do outro, principalmente por já ter experimentado algo que nos revele tal necessidade humana. É uma oportunidade de ser humano.


Participar do Caminhos, desde a inscrição, tem sido inspirador. Preencher a ficha e poder esclarecer as características do ‘Raul voluntário’, ler as cartilhas e vibrar com as histórias com as quais poderemos ter contato, além do tanto de conhecimento que surge dos encontros virtuais e presenciais. Inclusive, no nosso primeiro encontro, tive a grata oportunidade de conhecer os envolvidos nessa ação, bem como o meu apadrinhado presencialmente.


Estar em roda e na presença física de pessoas tem um potencial transformador sem medidas. E o apadrinhamento consiste em aproveitar esse potencial e ir transformando, dia a dia, a relação consigo, com a pessoa apadrinhada, e de ambos com o mundo.


Apadrinhar é se recolocar na sociedade como membro ativo que reconhece, também nas causas do outro, a ocasião para exercer a cidadania, imbuído de sentimentos como respeito, responsabilidade, educação, amor e empatia. É aprender e ensinar e, juntos, buscar melhores condições de existência. É uma troca muito rica com infinitas possibilidades e uma certeza: a transformação de duas vidas”.


Confira alguns registros dos encontros!


Encontro 1


Encontro 2


Realização: Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais - CeMAIS, Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) e Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG). Patrocínio: ArcelorMittal Brasil, Cemig, AVG Siderurgia, Cedro Mineração, Bemisa e Sindiextra. Apoio: Associação Mineira do Ministério Público, Associação dos Magistrados Mineiros, Nepomuceno Soares Advogados Associados, Dinorá Carla Sociedade Individual de Advocacia e Instituto de Apoio e Orientação a Pessoas em Situação de Rua (Inaper).

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