cemais-liberdade-para-todos

Projeto Liberdade para todos

Setubinha é uma comunidade cheia de vida e com grande empenho para se desenvolver.

Mas, como em todos os lugares, Setubinha também sofre com a exploração do trabalho, a falta de atividades culturais, violência doméstica e outros problemas que prejudicam a liberdade das pessoas.

A Campanha da Fraternidade de 2014, foi a inspiração para enfrentar alguns desses problemas e fortalecer a comunidade para garantir LIBERDADE PARA TODOS e buscar formas de estabelecer uma rede de proteção para aqueles que mais precisam.

Com apoio da Cáritas, o conhecimento do CeMAIS, o envolvimento da Diocese de Teófilo Otoni, da Paróquia Imaculada Conceição,  seu grupo de jovens e coordenadores das 25 comunidades que a compõe, os participantes integraram o grupo com grande emprenho e dedicação.

Agora, sabemos que os problemas são grandes, mas a força da comunidade é ainda maior, porque o amor e a dignidade são os condutores de todas as ações dessa REDE DE PROTEÇÃO que acaba de se formar.

LIBERDADE é realizar as próprias escolhas respeitando o limite dos outros.

A liberdade é defendida pela lei como um direito fundamental, assim como saúde, educação, moradia e segurança. Todos têm esses direitos independente de idade, etnia ou classe social.

Mas ao contrário de outros direitos, a liberdade individual possui seus limites. Independente das escolhas realizadas, a liberdade de um termina onde a liberdade do outro começa. O respeito ao próximo é essencial para conviver em sociedade.

No entanto existem várias situações em que uma pessoa pode tirar a liberdade de outra. O conhecimento e informação sobre o assunto é a melhor forma para prevenir esse problema.

Orientar as crianças, jovens e até adultos desinformados pode ajudá-los a não cair em uma série de armadilhas.

Todos os anos milhares de mulheres, crianças e homens são vítimas do tráfico de pessoas no mundo todo. Segundo relatórios da Organização das Nações Unidas, 58% das pessoas traficadas são submetidas à exploração sexual e 36%, ao trabalho escravo. No Brasil, quase 90% das vítimas foram traficadas dentro de seu próprio país ou levados à países vizinhos.

Os criminosos que lucram com o tráfico humano, geralmente escolhem como vítimas, pessoas vulneráveis e desinformadas que, acreditam em suas promessas por mais duvidosas que pareçam.

A promessa da realização de um sonho ou da conquista de dinheiro fácil é um artifício comum. O traficante passa a conhecer aquela pessoa como um amigo e enxerga no sonho da adolescente de ser modelo, no jovem que se imagina um famoso jogador de futebol ou no pai de família que batalha uma vida melhor para a esposa e filhos, uma presa fácil de ser atraída.

Independente da proposta que é feita, é muito importante obter o máximo de informações possíveis sobre o emprego prometido, para que o sonho não vire um pesadelo.

No caso do tráfico de pessoas, a vítima ainda é levada para longe da sua cidade,frequentemente para um lugar totalmente desconhecido em que ela não será capaz de sair sozinha daquela situação, perdendo o vínculo com sua família, amigos e com a comunidade.

As modalidades mais comuns de exploração são: 

– Exploração sexual; 

– Trabalho escravo ou trabalho forçado;

– Servidão (adolescentes ou mulheres exploradas em serviços domésticos) 

Nessa Rede todos têm uma tarefa a cumprir. Cada um deve fazer a sua parte e repassar informações importantes aos outros moradores da cidade.

Conversas na comunidade, uso da internet, atividades de orientação em sala de aula, procurar profissionais da prefeitura, são algumas formas para que todos entendam a importância da Rede e saibam como agir.

Mas tirar a liberdade de outra pessoa não é uma ação exclusiva de grandes criminosos e traficantes. Muita gente perde a liberdade dentro de sua própria casa ou da comunidade onde mora.

O abuso sexual, a violência física ou psicológica de crianças e adolescentes são violações à liberdade e são cometidas geralmente por alguém próximo a elas, um familiar, parente, vizinho ou até mesmo um amigo da família. Assim como no caso de violências domésticas, a falta de cuidado e outros tipos de abusos cometidos contra mulheres, deficientes e idosos são formas de privação de liberdade e dignidade.

Muitas vezes essa violência é tida como normal, como forma de educar ou cuidar. Mas não é bem assim. Crianças, adolescentes, homens, mulheres, deficientes e idosos têm direito de serem respeitados e toda a comunidade tem a obrigação de cuidar e garantir esse direito.

Quando a violência e privação da liberdade é realizada dentro de casa, em alguns casos motivados por problemas financeiros, vício em bebidas alcoólicas e drogas, a vítima pode não conseguir denunciar seu agressor. Os laços afetivos envolvidos e o medo de sofrer uma violência ainda maior, perder os pais, ser expulso de casa, de não acreditarem ou de ser culpada pelos problemas gerados pela denúncia, podem fazer com que a vítima não tenha condições de sair sozinha daquela situação.

Para ajudar alguém que está sofrendo maus tratos ou qualquer tipo de abuso, a observação é fundamental. Ao perceber mudanças no comportamento, marcas de agressão ou ausência em atividades cotidianas como não ir à escola, ao médico, à igreja, etc, a comunidade pode se mobilizar para ajudar.

É dever de TODOS, garantir que as pessoas possam ter uma vida com plena dignidade e liberdade. A defesa e a garantia de direitos não são tão eficazes quando exercidas por um único indivíduo, mas com o apoio da comunidade e a criação de uma rede de proteção, aquela ação é fortalecida, sendo capaz de alcançar todas as pessoas que moram na cidade.

Com a comunidade unida para cuidar uns dos outros e atenta a todas as coisas que acontecem, um agressor, traficante de pessoas, ou alguém que tenha a intenção de realizar algum abuso ou violência, sabendo que está sendo vigiado ficará inibido a agir.

Imagina essa rede atuando na cidade toda?

Mas vigiar não é o bastante. A comunidade deve estar informada e saber como agir para evitar que uma violência ou abuso aconteça ou continue. Conhecer as formas de denúncia e os equipamentos públicos de intervenção é fundamental para uma boa atuação da rede de proteção.

Principais órgãos de denúncia e orientação:

Principais órgãos de denúncia e orientação:

– Conselho tutelar: Os Conselhos Tutelares foram criados para zelar pelo cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes. A eles cabe receber a notificação e analisar a procedência de cada caso, visitando as famílias. Se for confirmado o fato, o Conselho deve levar a situação ao conhecimento do Ministério Público.

– Vara da Infância e da Juventude: Em município onde não há Conselho Tutelar, as Varas da Infância e da Juventude recebem as denúncias. 

– Polícia Militar: 190

– Polícia Rodoviária Federal: 191

– Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal: Para vítimas do tráfico humano que se encontram em território nacional, as denúncias poderão ser feitas pelos telefones (61) 3311-8270 e (61) 3311-8705 ou pelo e-mail: ddh.cgdi@dpf.gov.br. 

– Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República: No caso de violência ou tráfico de crianças e adolescentes, onde as vítimas têm menos de 18 anos, as denúncias poderão ser feitas pelo Disque 100. A denúncia também pode ser feita via internet, pelo e-mail: disquedenuncia@sedh.gov.br

Rede de proteção

QUE TAL MORAR EM UMA CIDADE ONDE TODOS PODEM VIVENCIAR SUA LIBERDADE?